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Ontem fiquei com uma sensação reconfortante ao perceber que o meu computador portátil tem também as suas dúvidas e inseguranças. Terminei uma frase e ele, com um singelo sublinhado verde, em suspiro, respeitando o meu espaço criativo, sugeriu que substituísse o singular pelo plural. Assim:

 solidificam

 

E eu mudei.

 

Mas depois surgiu-lhe a indecisão:

 solidifica

 

 

E aquela incerteza repetiu-se. Troca após troca, repetiu-se. E foi tão humana e tão terna que chegou a tocar-me. Será coisa minha?

Luanda, 19h30, um destes dias. Ainda entusiasmados pela proximidade física com a senhora Hillary, eu e o meu amor decidimos ir à mercearia do prédio ao lado para comprar batata frita. Descemos as escadas a correr, para encontrar o bairro em escuridão total. Falha geral na electricidade. Outra vez. Entramos na mercearia, velas, bafo, escuro, batatas, pagamento e voltamos à liberdade condicional da nossa rua. Depois as coisas aconteceram assim: uma mota da polícia de trânsito com muito aparato, muita luz azul e muita sirene, avança em grande velocidade na rua em frente à nossa casa, e pára no cruzamento dos Combatentes. O nosso. O trânsito todo interrompido. Escuro. Muitas pessoas juntam-se à beira da rua. Um veículo de guerra com muitos militares no topo, armados com armas e armados em maus avançam também muito rápido, sem parar. Quatro Mercedes, sinistros e blindados, todos com matrícula “PR”, fundo a vermelho e preto – como a bandeira – aparecem e evaporam-se à nossa frente. Seguiram para outro qualquer cruzamento. Atrás outro dos veículos de guerra e outra das motas de trânsito encerram a assustadora caravana. A primeira mota segue-os. As pessoas dispersam e… milagre, a luz volta ao nosso bairro. E o Filipe, o miúdo pedinte lá do prédio, sorri para mim e para o meu amor. “Viste pai?! Viste?! O presidente?! Olha… pai, dá só duzentos…”. Dei-lhe cinquenta kwanzas. Pelo presidente.

Há momentos em que acho que trabalho na indústria certa. Sou consultor na área de Resources, indústria que a Havard considerou como fundamental para as estratégias corporativas das maiores empresas mundiais. Chama-lhe tendência “steady” (como quem diz: preparem-se porque vai mesmo acontecer) e diz que o acesso a recursos naturais básicos como a água e a electricidade se está a tornar numa variável fundamental para quem lídera as gigantes empresas globais. Já sabíamos que era assim com os governos; agora descobrimos que empresas como a google, a maior consumidora de electricidade do mundo (!), já está a comprar terra para alojar os seus mega-servidores junto a rios e lagoas por esse mundo fora. E não é pela vista…

Entretanto, é já daqui a 20 anos que 85% da população estará em locais onde a procura de água potável será maior que a oferta. E das duas uma: ou temos a “sorte” de viver num dos 15% onde a água ainda chega para todos – é melhor começar já a escolher o sítio – ou então teremos que ter dinheiro para pagar o preço de um bem essencial onde a oferta dita as regras e o regulador tenta gerir interesses dos dois lados… preços da gasolina, ring a bell?

Ontem o meu amor saiu mais tarde do escritório e eu estive a fazer tempo porque tinha que a levar para casa.

Muitas vezes dou por mim a fazer tempo. Em casa, no trabalho, na praia. É uma actividade que me conforta e que me alivia o stress. Também aligeira uma dor cervical arreliante que ficou dos tempos da hérnia. Ultimamente tenho sido mais organizado quando me ponho a fazer tempo, por isso estou a preparar uma linha de pequenos pacotinhos de tempo que gostava de vos apresentar: os “on-the-go” para os activos e dinâmicos; os “glamour” para quem aprecia a qualidade e o sabor; os “silhueta” para os que cuidam da linha; os “executive” para verdadeiros líderes; os “discount” para estudantes, backpackers e outros desafortunados; os “sporty” para todos os desportistas… e… e… por aí fora. Estarão disponíveis em tamanhos diferentes e os preços serão acessíveis (dependendo da retoma).

Sentei-me na mesa, liguei o computador e comecei a fazer as contas aos gastos mensais. Os meus gastos e do meu amor. Os super-mercados, a gasolina, a empregada, a tv cabo, o motorista. Enfim, uma diversidade de despesas contabilizadas kwanza a kwanza, com método e diligência. Um completo e detalhado sistema de orçamentação familiar. Estávamos on budget e eu fiquei orgulhoso. Foi há três dias atrás. Levado pelo entusiasmo, eis que célula após célula, coluna após coluna, os dados e os controlos expandiram-se tanto que o mapa se tornou um espelho da evolução da nossa vida em Angola. O que antes era um conjunto de descrições e valores familiares, um exemplo de organização e um motivo de orgulho, viu-se acrescentado da mais variada informação sobre o dia-a-dia Angolano. Ilustrando: registos de horas no trânsito, frequência de pessoas a pedir na rua por dia, número de dias sem água, horas sem electricidade, baratas atiradas pela sanita lá de casa, idas ao cinema por mês, outros eventos culturais diversos desde que estamos em Angola, frequência de visitas de presidentes estrangeiros a Angola por mês, registo de escolas recuperadas por semana, barris de petróleo vendidos por dia, novos casos de VIH por dia, jantares a mais de 100usd por pessoa por semana, dólares investidos em consultoria, dólares investidos em comissões, número de habitações com saneamento básico, uffff. Tudo isto foi feito segundo os rigorosos critérios anteriormente estipulados e mantendo a comparação ao estimado, o dito controlo orçamental, meu e do meu amor. Daí que agora, passados três dias e algumas pausas para chá e torradas, coloque finalmente um final a esta labuta. Registo com agrado que continuamos on budget. Com os desvios sob controlo e com análise de sensibilidade às diversas variáveis orçamentais. Arrisco a dizer que sei onde está o problema. Pensei até se o governo Angolano aceitaria fazer uma cotação para a aquisição deste nosso controlo familiar, meu e do meu amor, ao qual arrisco um valor inicial simbólico de 1.5 milhões de usd. Preços de Angola.

Às vezes dou de caras com listas meio irritantes tipo “secrets for a successful career”. Mas hoje li 4 tarefas-preparatórias-para-reuniões-eficientes e não posso deixar de me perguntar que nome hei-de dar à maior parte das reuniões de trabalho que tenho tido na vida…    **suspiro

1. Preprare - seems obvious, but it actually works if you try it once in a while.

2. Think before speaking - so much time wasted going off topic…

3. Make it two-way - if it’s just one talking, why not send an email?

4. Listen - close that laptop, disconnect from that iphone… or go back to your desk.

(inspired in Harvard Business Review – Management Tip of the Day)

Ontem eu e a Marisol, num jantar com amigos da UN e ONG’s, ouvimos a revolta de um dos presentes – porque é que o crescimento de Angola não é também social? Eu fiquei a pensar nisso e fui às estatísticas da UN à caça de dados sobre o desenvolvimento social de Angola. Ficam aqui dois exemplos que coloquei em gráficos, apenas para dar uma ideia… há mais – iliteracia, VIH… posso dizer-vos que, embora ainda não hajam dados para os anos 2007-2008, é assustador!

 

HDI vs GDP

 

LE vs GDP

 

HPI vs GDP

degelo

fonte Paul Krugman | Global Change Research Program

Este livro e este livro defendem que as power naps melhoram a nossa inteligência, a nossa capacidade de aprendizagem e a nossa memória. Está tudo neste Blog.

Entretanto, quatro perguntas rápidas: posso aplicar isto à preguiça e dormir até às tantas? porque é que os Espanhóis não são mais inteligentes? como é que vou mostrar isto ao meu patrão sem ser demasiado óbvio? porque é que o meu amigo Zé, camarada de MBA, o maior especialista em power naps, não me explicou isto antes?!

Tenho lido e ouvido em algumas ocasiões que Portugal é o líder Europeu no movimento das energias renováveis. 

Esse comentário era quase uma constatação, vinda das mais diferentes fontes, formais e informais, na imprensa ou na Accenture. Nunca vi dados concretos mas sempre concordei entusiasmado.

Nesta notícia do Público, Portugal aparece num estudo do Eurostat como o terceiro país na União Europeia em que os consumidores mais utilizam energias renováveis. Logo a seguir à… Estónia e Letónia (!) Eu achei melhor confirmar e partilho aqui dois gráficos da mesma Eurostat.

 

Picture1

Picture2

 

Estamos lá em cima. Somos bons, bastante acima da média e estou contente.
Mas não somos líderes. Nem terceiros…

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