Luanda, 19h30, um destes dias. Ainda entusiasmados pela proximidade física com a senhora Hillary, eu e o meu amor decidimos ir à mercearia do prédio ao lado para comprar batata frita. Descemos as escadas a correr, para encontrar o bairro em escuridão total. Falha geral na electricidade. Outra vez. Entramos na mercearia, velas, bafo, escuro, batatas, pagamento e voltamos à liberdade condicional da nossa rua. Depois as coisas aconteceram assim: uma mota da polícia de trânsito com muito aparato, muita luz azul e muita sirene, avança em grande velocidade na rua em frente à nossa casa, e pára no cruzamento dos Combatentes. O nosso. O trânsito todo interrompido. Escuro. Muitas pessoas juntam-se à beira da rua. Um veículo de guerra com muitos militares no topo, armados com armas e armados em maus avançam também muito rápido, sem parar. Quatro Mercedes, sinistros e blindados, todos com matrícula “PR”, fundo a vermelho e preto – como a bandeira – aparecem e evaporam-se à nossa frente. Seguiram para outro qualquer cruzamento. Atrás outro dos veículos de guerra e outra das motas de trânsito encerram a assustadora caravana. A primeira mota segue-os. As pessoas dispersam e… milagre, a luz volta ao nosso bairro. E o Filipe, o miúdo pedinte lá do prédio, sorri para mim e para o meu amor. “Viste pai?! Viste?! O presidente?! Olha… pai, dá só duzentos…”. Dei-lhe cinquenta kwanzas. Pelo presidente.